Já está ficando complicado realizar os registros relacionando as aprendizagens e construções de cada semestre. Como já devo ter mencionado em outro momento não tem como destacar cada interdisciplina, pois todas foram se complementando com o transcorrer do curso. Seria bem mais fácil resumir os conteúdos de cada texto, do que falar de uma forma tão ampla.
Foram muitas construções e aprendizagens na área informativa, conhecimentos, no entanto as maiores transformações aconteceram a nível de conceitos, postura e ideologias.
Lembrei de uma dinâmica realizada na aula de etnias, onde trabalhamos com o poder do espelho. A atividade foi desenvolvida em dois momentos. Inicialmente falamos de uma colega e depois de nós mesmas. Foi muito difícil. Conclui que é muito mais fácil observar e falar das qualidades e defeitos dos outros do que sobre as nossas. Relato este fato, pois novamente me encontro na mesma situação. É chegada a hora novamente de analisar meu crescimento, minhas transformações. Transformações que vem a confirmar que minha aprendizagem foi significativa. Como houve transformação, mudança de postura, houve também mudanças dentro de minha prática como educadora. Mas o mais interessante em tudo isso, é ter a oportunidade de parar e olhar para trás, comparar o passado e o presente.
Quando trabalhamos com os textos de Fernando Becker e da professora Tânia Marques sobre Construtivismo e Epistemologia, compreendi fatores e características importantíssimas para a aprendizagem. Entre estes a importância da interação. Logo essa idéia de confirmou na realização da dinâmica citada anteriormente e nas demais atividades realizadas na interdisciplina de etnias e Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais, já que ambas foram realizadas envolvendo minha vida pessoal e cotidiano em sala de aula.Fui totalmente envolvida no processo.
O fato de resgatar minha história, em etnias, me levou a compreender a importância do resgate da história de meus alunos, minha comunidade. Conhecer melhor a realidade que estou inserida.
Como moro em uma localidade onde as diferenças étnicas são bem fortes, se divide entre alemães e afrodescendetes, e minha escola também está inserida neste contexto, pois fazemos parte do Quilombolas, todos os temas desenvolvidos contribuíram para minha evolução como pessoa e profissional.
Descobri formas de direcionar meus trabalhos de forma que todos compreendam a importância de nossa cultura, do respeito e valorização de cada um dentro do grupo, da sociedade. Nossos trabalhos hoje se desenvolvem com mais harmonia, meus alunos assim como eu se sentem mais valorizados e orgulhosos de si mesmo e de suas famílias.
Anualmente realizamos a semana da Consciência Negra na escola, assunto que era trabalhado somente no mês de Novembro. Hoje o tema é desenvolvido o ano todo. Conseguimos uma união entre toda a comunidade escolar, as famílias estão mais participativas do que nos anos anteriores.
Dentro da mesma questão de valorizar e respeitar as diferenças entrou a interdisciplina de Educação de Pessoas com necessidades Educacionais Especiais. Nossos conhecimentos quanto a Inclusão são muito poucos, apesar do tema ser muito debatido. Em minha ignorância considerava aluno com necessidades educacionais especiais somente alunos com alguma deficiência visível, física. E posso afirmar não sou nem era a única a ter esse conceito. Assim sendo, como não tinha nenhum aluno nessas condições o problema deixa de ser meu. Novos conceitos foram então construídos, apesar da interdisciplina ter se direcionado um pouco mais na área das dificuldades físicas, fui além disso. Buscando entender as dificuldades de meus alunos busquei maiores informações, livros sobre o tema. Apoio legal para quando necessário. Durante minhas leituras, fui adquirindo o hábito de observar meus alunos não só na aprendizagem de conteúdos, mas em suas atitudes, comportamento e fiquei muito surpresa com o que fui descobrindo. Consegui encaminhamentos, me aproximei das famílias e de alguns especialistas que tem contribuído muito para o desenvolvimento de meus trabalhos, já que tenho cinco alunos que hoje recebem acompanhamento dos mesmos.
Tenho duas mães que hoje são minhas parceiras dentro e fora da escola, pois juntas conseguimos detectar algumas dificuldades que seus filhos vinham enfrentando na aprendizagem devido a problemas neurológicos e que de acordo com os médicos se agravariam para dificuldades motoras. Não espero nenhum prêmio por isso, mas consegui dentro de minha escola um espaço especial, espaço este que me deixa a vontade para questionar algumas situações, fazer algumas exigências quando necessário. Tudo em prol de um espaço melhor para nossos alunos, pela sua aprendizagem.
Para finalizar não poderia deixar de falar dos Projetos de Aprendizagem. Foram momentos de muita angustia, medo, insatisfação e dúvidas, no entanto hoje observo seu valor e contribuição.Ainda não descobri se os desenvolvo da forma correta, se é que existe alguma, mas tem sido os projetos de Aprendizagem que tem tornado minhas aulas mais prazerosas para os alunos, facilitado meus planejamentos, pois são as curiosidades dos alunos que direcionam as aulas, e a cada dia que passa me surpreendo como cada questão levantada vai se adequando aos conteúdos desenvolvidos e tenho como provar isso, já que estamos em Novembro e já consegui desenvolver todos os conteúdos mínimos exigidos pelo currículo e de forma significativa para os alunos. Os Pareceres finais confirmam isso.
Em fim antes me considerava simplesmente uma professora polêmica, hoje continuo sendo polêmica, no entanto corajosa e segura. Que luta pelo que acredita, mesmo que nem sempre ganhe, mas sei que a vida é feita de batalhas, pode se perder uma, isso não quer dizer que vamos perder a guerra.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
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