quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Treceiro Semestre

O Poder de novos desafios

Quando iniciamos o terceiro semestre, entrei em pânico. Já na primeira aula presencial ficamos sabendo quais interdisciplinas seriam trabalhadas. Música, Literatura, Ludicidade, Artes Visuais, Teatro, todas as atividades que sempre fiz o possível para não participar. Pertenço a uma geração onde as atividades artísticas, dramáticas deveriam ser deixadas para que tivesse o dom de exercê-las. Criei no transcorrer de minha vida conceitos que no transcorrer do semestre fui descobrindo vinham influenciando minha prática, pois estava negando aos meus alunos, momentos de alegria e prazer, assim como abrindo mão de recursos que favorecem a uma aprendizagem mais significativa e real para suas vidas.
A interdisciplina de Musica, marcou pelo resgate da música dentro de minha história, da infância até os dias de hoje, que foi de suma importância para que entendesse o quanto a música é importante e contribui para nosso desenvolvimento, pois envolve o sentimento, a emoção, mas também o corpo, o espaço. Estas descobertas foram fatores que me levaram a entender a importância do trabalho com a música em sala de aula, assim como usar a mesma não só como instrumento de auxilio para desenvolver os conteúdos, mas também por prazer de cantar, escutar, lembrar momentos de nossas vidas. Descobri que a música faz parte de toda e qualquer infância, do pobre do rico, independente de classe ou etnia.
A partir do terceiro semestre passei a usar a música em vários momentos de meus planejamentos, seja para o resgate de nossas historias de vida, das famílias, de nossa cultura, sempre há uma música, uma cantiga presente. Os alunos adoram cada momento, mas o principal é que sinto que a música nos aproxima, facilita nosso entendimento, possibilita que nos conheçamos melhor, seja dentro de nossas limitações ou no que podemos fazer de melhor,
Literatura devo confessar que foi a única interdisciplina que me deixou muito empolgada, pois sempre tive muita vontade de trabalhar com histórias em sala de aula. Acredito que as mesmas instigam, motivam a leitura. No entanto nunca me considerei apta a contar uma história para meus alunos. Até fiz algumas tentativas, porém frustrantes, pois me apegava a regras de conduta para mim e para os alunos, as quais prejudicavam qualquer tentativa de narração.
Descobri que para contar uma história basta conhecê-la, assim como o que nossos alunos querem ouvir, e ter prazer em fazê-lo. Hoje nossa turma tem a hora da leitura uma vez por semana. Conforme combinado semanalmente, um aluno, um grupo, ou eu temos além da hora da leitura, momento que não abrem mão, a hora do conto, onde alguém é responsável por contar uma história, usando o recurso que achar mais apropriado, teatro, música, como achar melhor.
Assim como a música são momentos de aproximação, socialização, quebra de barreiras. Um caso entre outros, que acho importante citar, é de um aluno que tem problemas emocionais, É muito tímido, gago e tem alguns problemas motores, causados pela timidez e insegurança. Quando iniciou o ano letivo não conseguia ler e não se aproximava dos colegas. Por muito tempo ficava lá no seu cantinho e nunca o obriguei a participar de nada. A uns dois meses atrás o convidei a contar uma de suas história lidas e para minha surpresa aceitou. Foi emocionante para toda a turma. Ele começou timidamente e aos poucos foi se soltando. Hoje faz parte do rodízio de voluntários, inclusive para a oração realizada pela turma uma vez por semana com todos os alunos da escola no inicio das aulas. A mãe veio até a escola para falar sobre seus progressos, inclusive em casa. Fiquei muito feliz e acredito estar observando os resultados de uma aprendizagem significativa. Uma aprendizagem que está fazendo a diferença. Mudanças estão acontecendo.
Esta não é uma situação isolada relacionada somente as construções na Interdisciplina de Música ou Literatura, é o resultado de uma caminhada que foi sofrendo influencias da Ludicidade, onde aprendemos a usar o prazer e alegria do jogo, da brincadeira em prol da aprendizagem. No teatro, nas Artes visuais descobri o prazer em observar, em criar, em participar do mundo artístico e levar isto para dentro da sala de aula.
Poderia seguir relatando cada aprendizagem construída dentro de cada interdiscplina separadamente por mera formalidade, e mesmo assim me tornaria repetitiva, já que foram se complementando no transcorrer do trimestre como uma corrente que vai se fortalecendo a cada elo que se junta a mesma.
Hoje relendo cada postagem tenho a oportunidade de relembrar cada momento, antes e depois, e constatar o quanto cresci, o quanto fui construindo a cada semestre.

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