Esta foi uma semana bem diferenciada das demais. Saímos totalmente da rotina de sala de aula. Já iniciamos a semana com atividades de Educação Física e Educação artística, que os alunos adoram. Na terça-feira saímos da escola as 7h e 30 min. para participar das olimpíadas municipais, as expectativas eram grandes, pois alem de nunca haverem participado de atividades fora da escola, foi a primeira vez que participamos de uma atividade tão importante para eles juntos. Troquei meu horário na outra escola para poder acompanhá-los, pois entendi o quanto minha presença lhes daria segurança.
Foi uma manhã maravilhosa. Nos divertimos muito. Não participei das atividades diretamente, mas digamos que fui a técnica de nossa equipe. Todas as turmas tinham o professor de Educação Física como acompanhante, inclusive nosso professor estava lá, éramos os únicos acompanhados por uma “amadora”, eu. No entanto me sentia um “Guga“ na seleção, tal a confiança que agora meus alunos me passavam. Enquanto os demais professores passavam táticas para seus alunos, me restava passar otimismo e segurança para os meus. Eram atletas da zona rural, concorrendo com atletas da zona urbana, o chão contra o asfalto, mas não importa nós estávamos lá. Ficamos em um terceiro lugar que valeu pelo primeiro.
Fala-se muito em interação professor-aluno, ou vice versa. Em um texto de Maria da Conceição Santos Cavalcante, especialista em Educação, “ Interação professor-aluno, Favorecendo o desenvolvimento socioemocional e cognitivo da criança,” ela coloca a transferência do apego da criança pelos pais para a professora, e o quanto isto pode representar durante seu processo de desenvolvimento tanto emocional quanto cognitivo. Esta influencia é positiva quando predomina no diálogo, afeição, respeito, valorização dos conhecimentos e sentimentos dos alunos, possibilitando participação ativa e prazerosa em sala de aula e ou fora dela, favorecendo a criatividade e a autonomia.
Enquanto observava os alunos enquanto se preparavam e participavam de cada atividade me sentia orgulhosa de estar ali, de ser sua professora, de comprovar suas superações, sua timidez, seus medos, suas dificuldades de coordenação, de vestuário adequado. Fiquei orgulhosa de ver na prática o que prego na teoria: Ninguém e melhor que ninguém, tudo podemos, basta querer e lutar por isso.
Muitos podem não entender o que digo, pois não conhecem nossa realidade, nossa localidade ou não acreditam que ainda vivemos num mundo de desigualdades sociais, onde crianças param de estudar por falta de transporte ou não suportarem as dificuldades de acesso a escola.Mas o que quero que entendam é que nós professores não podemos mudar esta realidade, mas podemos com muito diálogo, muita paciência, muito amor ajudar a esses alunos a superar todas essas dificuldades tendo como objetivos torna-los autônomos, responsáveis, conscientes, coerentes, respeitados e respeitosos dando-lhes oportunidade de participação, expressão, dentro e fora de seu espaço de convivência.
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1 comentários:
Olá Tânia!
Ao iniciar a leitura desta postagem pensei teu foco estaria no relato das atividades realizadas com teus alunos, entretanto me surpreendi com a intensidade e aprofundamento de tua reflexão.
No trecho em que fala sobre a "transferência do apego da criança pelos pais para a professora" destaco o foco que dá para esta transferência, pois não desvaloriza as professoras ou aponta elementos que transferem para a escola a responsabilidade da família, mas ressalta a responsabilidade que as professoras assumem em relação aos seus alunos. Logo me lembrei do livro "Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar" de Paulo Freire e ao buscá-lo na web fiz um recorte para continuarmos pensando sobre nossa profissão:
"Enquanto assistia à ruína de sua autoridade eu, que sonhava com tornar-me professor, prometia a mim mesmo que jamais me entregaria assim à negação de mim próprio. Nem o todo-poderosismo do professor autoritário, arrogante, cuja palavra é sempre a última, nem a insegurança e a falta completa de presença e de poder que aquele professor exibia." (p.52 http://www.unipam.edu.br/educacaoespecial/images/stories/Professorasim,tian%C3%83%C2%A3o-PauloFreire.pdf)
Seguimos conversando!
Abraços, Cátia
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